terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Oca


Um vazio sem ar,
vácuo asfixiado
Oca
como se feita de lágrimas
lágrimas de alfinetes
Quero bater, matar
quem estiver pela frente
em frente ao espelho
Quero morrer e depois chorar
não quero mais,
não aguento mais
esse vazio de agulhas
Redemoinho, furacão
Não suporto seu peso
sobre a minha cabeça oca
Causa da minha gastura constante
ânsia de vomitar o que não comi

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


As coisas têm formas que as nuvens não têm
As nuvens são livres,
têm a forma dos olhos do alguém

Quadro: "Premonição" de Salvador Dalí

domingo, 17 de outubro de 2010

Página Um


Todo início é especial. Único. Quando você senta ao lado de um estranho no ônibus e ele abre um livro na primeira página, você presencia o início.
O primeiro dia de aula na escola nova.
O primeiro encontro dos amantes.
Os primeiros momentos de uma história, de uma viagem.
Que presente! O registro de um momento crucial. Que vontade de assistir tudo o que ele viverá. Que curiosidade de saber o que ele achará do final. O língua coça querendo libertar mil perguntas. Os olhos se arriscam ansiando decifrar cada contração da face. A cabeça inquieta deseja viajar nas mesmas figuras de linguagem.
"Que honra estar ao seu lado neste momento ímpar!"
Por que será que não podemos falar com estranhos?